Boa Ação

1 10 2008

Pois é, fiz uma boa ação para uma pessoa que nem sei o nome!

Eu explico. No post anterior, disse sobre meu amor ao Teatro e todas as boas experiências que o Espaço Cultural FIESP me proporcionou. Nesse mesmo dia minha tia começou a ouvir o Leandro e Leonardo (não o que morreu… acho que é o Leonardo…) e meu primo Bruno e Marrone. Às vezes me pergunto como tenho uma família dessas… enfim, entendi os sinais e sumi de casa. Escolhi ir ao FIESP assistir a peça “Sacrifício” e tirar fotos no Parque Trianon.

Chegando no FIESP os ingressos já haviam acabado. Não fiquei muito chateado, afinal, ainda poderia pegar uma fila básica de lugares remanescentes. Fui ao Parque Trianon. Tirei fotos legais, fiquei feliz =D. Queria tirar mais, mas o Parque já estava fechando. Ok, fui à FNAC. Li uns livros, umas revistas gringas super de design que não me lembro o nome. Inclusive isso tá se tornando muito comum, me sinto tipo uma Dory, do procurando Nemo. Estou esquecendo o nome de diversas coisas =/ Minha mãe já recomendou fosfosol, mas tenho medo. Eu acho que é a minha vida na cidade grande e a internet. Sabe, informação demais pode causar isso. Juro, li no google! Whatever.

Na FNAC fiz amizade com o Samuel, garoto que estava demonstrando o Wii. O jogo era Rayman Raving Rabbids. Muito engraçado. Bem Wii mesmo, jogo sem compromisso, para atingir um público imediatista/não-gamer, que deseja diversão sem ter que pensar muito, porém com um certo nível de desafio. Como não havia muita gente, ficamos conversando e jogando. Só saí de lá quando deu o horário de pegar a fila para a peça. Chegando no FIESP a fila estava ENORME! Não me animei nem um pouco em enfrentá-la. Pensei, vou até o final dar uma olhada no que há na Paulista nesta noite fria. Andei até a Casa das Rosas (Sim eu realmente ando a Paulista inteira!). Lá estavam cantando um coral da terceira idade, acho eu. Só tinha terceira idade e perguntei duas vezes o nome do grupo pra uma menina-atendente de lá, só que a coitada tinha um certo problema de dicção. Fiquei com vergonha de perguntar a terceira vez… Ouvi umas músicas que não eram do meu tempo, mas me tocaram por sua atemporalidade, e resolvi voltar e brigar com o Samuel, afinal, ele e o Wii me fizeram perder a peça que eu queria. Quase lá, entrei na banca que fica próximo a FNAC, porque lembrei que a Cris de Lara havia avisado no DeviantArt que o portfólio dela estaria na Digital Designer. Como admiro os trabalhos da garota, fui conferir. Realmente muito bom.

Enquanto conferia a revista, minha trilha sonora era Justice. Só que percebi que havia algo errado no balcão da banca. Tirei um fone para ouvir a conversa discretamente (sim, curto uma fofoca XD), e vocês acreditam que o dono da banca estava tentando empurrar um cartão telefônico para um gringo no valor de R$50,00? Tudo bem que era de 50 unidades, mas R$1,00 por unidade?! O coitado nem falava português direito, e o dono da banca só falava o valor em português, nem em inglês para ajudar o gringo… Fui obrigado a ajudar o coitado.

Quando iniciei o “can I help you”, o cara só faltou me abraçar! Ajudei o pobre a comprar o cartão telefônico que ele queria. Comprado. Ele me levanta o celular e me pergunta se pode usar os créditos nele. Burro foi a única palavra que me passou pela mente, mas logo me livrei dela, afinal, vai saber como é lá na terra dele. Voltando. Troquei o cartão telefônico do rapaz por um cartão de créditos para o celular do candango. Comprado, perguntei se ele sabia colocar o tal do crédito no celular. Gente a cara dele de “me ajuda” foi… foi… inenarrável! Peguei o celular e liguei para a operadora para colocar os créditos. While this, perguntei de onde ele era. Seattle. O que ele fazia no Brasil? No momento pintando um templo budista em Cotia, o Zu Lai, próximo a Raposo Tavares. E quanto tempo pretendia ficar no Brasil? “Um ano. Estou tentando a vida aqui no Brasil.” Créditos colocados.  Agradecimentos feitos… Peraê! Repete a última frase. “Estou tentando a vida aqui no Brasil.”  Tipo assim…

Pára tudo NOW!

Por quê uma pessoa me sai de Seattle para vir tentar a vida no Brasil?

O pior tal questionamento só aflorou em minha mente depois que contei o “causo” para minha mãe. Ela disse que ele talvez fosse um serial killer, que fugiu e veio para o Brasil. Quer dizer… ela, e todo o povo do meu trabalho.

O povo só vê o lado mal das pessoas, né? Maior dó do moço, gente. Ele ia ser roubado pelo cara da banca e ainda por cima, não ia conseguir fazer a ligação para a gangue dele! Quer dizer… para os amigos dele XD

Só sei que não perguntei o nome do garoto, nem email, nem o número do celular. Por quê? Esqueci. Até queria manter contato. Quem sabe eu entraria para a gangue dele? Quem sabe eu ia pra Seattle fazer couch surfing?

Enfim. Voltei na FNAC, contei o “causo” para meu recém-amigo Samuel e fui tomar um bom café no Starbucks. E ainda dei um abraço no carinha do Free Hugs, perto da estação Consolação.

Lições que aprendi? Não fique jogando vídeo-game por muito tempo, você pode perder o horário da sua peça.

Ah! E faça boas ações, o Universo um dia retribui =D


Ações

Information

2 responses

3 10 2008
Itiro

Pena ter perdido contato com o gringo. Com certeza, ele vai precisar de ajuda no futuro.

Não sei se tem muito a ver com o gringo, ou com o Free Hugs, mas isso me lembra uma senhora, com quem eu sempre cruzava na Rua São Carlos do Pinhal (paralela à Av.Paulista).

Era uma pedestre desconhecida, que ao passar por mim, dizia sempre: -Deus te abençoe.

Estranhei na primeira vez. Retribuí nas vezes seguintes. Hoje, sinto falta dela.

Não é questão de religião, mas de desejarmos o bem do próximo…

E parabéns por estender o braço a alguém que precisava!

Um free hug pra você!

4 10 2008
rafagoom

Eu acho isso super legal. Há diversas pessoas que nem conheço aqui no bairro que dou bom dia/tarde/noite e me retribuem. Como você, independente de religião, acho que desejar o bem ao próximo conta ponto com o Criador =D

Outro free hug!

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