Trem

4 10 2008

Saio do Eldorado às 18:30.

Entro na estação Hebraica-Rebouças. Compro uma passagem. Sorte! O trem está parado na estação! Corre Rafael!

Consigo entrar! Vou chegar cedo em casa e procurar algo bem legal para postar no blog =D

Por quê o trem não anda?

Em pé, dentro do vagão, ouvindo CSS. Graças a Deus não estava tão cheio. 18:40 entram mais algumas pessoas, mas também saem, cansadas de esperar e principalmente cansadas da falta de informação. Duas meninas entraram. Jovens, adolescentes. Começam a conversar e fazer piada da situação.

Uma senhora se estressa com a falta de informação e grita “CHAMA ESSE GUARDA! QUÊ QUE TÁ ACONTECENDO COM ESSE TREM?!” “Minha senhora, há um trem parado na estação Pinheiros avariado, mas o reboque já tá chegando. Coisa de 5 minutos!””Avariado? Quê isso?” “Tá quebrado, madame!”

18:50 e ainda estamos parados. Já estou conversando com as garotas (e com metade do vagão XD). Descubro que todos estamos rumando para Osasco. Conversamos de tudo. A loira começou com política “Vai! Vota no PT! O trem já tá parado, agora vamos usar o Wi-Fi da Marta pra ir de casa pro trabalho!” a morena responde “Epa! Política, religião e opção sexual não se discutem!” eu viro “Esse terceiro é novo pra mim!” “Vivemos em época de liberdade sexual, querido”, o garoto de verde ri.

E o trem não andava. A seqüência de CSS termina. Stress – Justice. Melhor mudar…

19:00 Finalmente o trem começa a andar. A conversa continua. Descubro que a loira é estagiária. Meu pensamento se desprende do presente e se lembra de que a vida é cheia de efemeridades.

Pensa bem. Quando é que aqueles adolescentes, sim, aqueles quatro, terão a oportunidade de conversar sobre o nada de novo? Trocar idéia, sabe? Conhecer o que tem na mente do outro. O que ele acha da situação da vida louca do proletariado. Aproveitar aquele momento com certeza de uma forma ou de outra ampliaria meus horizontes de alguma forma. A vida é composta de pequenas efemeridades, que vão ficando, fazendo com que nos acostumemos com elas, e nem notamos que já fazem parte da nossa vida. E cada uma das efemeridades são tão preciosas. Tão necessárias para aguentarmos essa vida louca que levamos.

“É pessoal, o mundo acabou e estamos flutuando” lancei essa frase pro pessoal. A loira “Pára agora esse trem que ele começou a filosofar!”. Risadas coletivas.

19:20 e o garoto da camisa verde desce sem se despedir. Muito feia essa atitude. Afinal, partilhamos uma parte de nossas vidas. Em nossa memória, mesmo que não a ativemos, nossos rostos, nossa conversa, estarão lá. Guardados até que nos encontremos de novo. Nem que seja por segundos.

19:35 Chegamos ao nosso destino. Eu, a garota loira e a garota morena nos despedimos. A garota loira foi encontrar o namorado, mas antes ficou conversando com a morena, que ainda aguardaria o trem da CPTM para descer três estações à frente. Eu encontrei um colega da faculdade e fomos até o fundo pegar o CPTM no último vagão.

19:50 Chego em minha casa e ligo o PC, louco para postar esse momento no blog.

Uma efemeridade que já faz parte da minha vida. E aconteceu sem eu perceber.

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4 responses

16 10 2008
denise moura

Fala sério!

Quase um Cinco Minutos, né?! hahahahha

=o)

25 10 2008
ivan

Muito bom o post, blog, layout, tudo… parabéns e continue a escrever!

25 10 2008
rafagoom

Muito obrigado =D

29 11 2008
Operação Saramago « ~Minha vida versão .com

[…] legal desses eventos é a amizade efêmera que você faz (e eu sou mestre nisso, já leram este meu post?). Conheci três pessoas interessantes. O Leandro, um jovem escritor que acabou de conseguir que […]

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