Watchmen – O Bom Filme (Revisado)

10 03 2009

RorscharchComo disse há alguns posts abaixo, fui assistir ao filme sem ter lido a graphic novel completa para tentar ter a mesma sensação que a maioria das pessoas que estavam na sala do cinema teriam. Mentira, não deu tempo. A sensação que tive ao final do filme? Não é um filme comercial.

É um filme para cinéfilos. Mais expecificamente é um filme feito para os amantes das artes ‘quadrinológicas’. Alan Morre fez um trabalho primoroso na graphic novel que deu origem ao filme. Disso vocês já sabem. Zack Snyder com certeza é um geek amante dos quadrinhos, que sente que deve apresentar essa arte ao maior número possível de pessoas. Por isso seu belo trabalho em 300 e agora em Watchmen.

A linguagem usada para nos contar sobre o passado da América e como os heróis o influenciaram, a ascensão e a derrota dos heróis em cinco minutos de pura beleza fotográfica com a mais bela luz. É como deslizar os olhos pelas páginas de uma graphic novel, e não estou dizendo que é inteiramente fiel ao HQ original. Me senti lendo uma HQ desse gênero, e pelo que entendo, a proposta é essa.

Alan Moore no quadrinho joga na cara do mundo que  o sonho americano falou. Zack Snyder mantém essa afirmativa no filme. Alguns podem perguntar o por quê de insistir nessa afirmativa. Simples, ainda há pessoas que acreditam no “american way of life”.

Dr ManhattanVer os ex-heróis com dificuldades humanas, como impotência sexual (uma analogia direta à impotência de seguir adiante com a vida); A certeza de que algo está errado e deve ser reparado, mas não ter a motivação suficiente para agir. Até aquele que tem os poderes para agir e ajudar os humanos a seguirem na direção correta, não tem interesse em fazê-lo. Não é mais humano. Não se sente mais parte dessa raça. Sentimentos e roupas foram deixados de lado. Isso não se via, e ainda não se vê, nas HQ’s comerciais. Marvel e DC Comics podem investir em reviravoltas, guerras entre mundos de heróis com valores diferentes dos da maioria dos humanos, mas nada se equipara aos problemas humanos que Alan Moore inseriu os heróis de Watchmen e lógicamente o filme mantém essa essência.

Um herói que vive à margem, sendo considerado um criminoso pelos próprios ex-colegas é que os acorda para a realidade , ver no que o mundo que eles um dia lutaram para salvar se tornou. Novamente a loucura como caminho para enxergar de forma sã e consciente a realidade. Se Heath Ledger ganhou um Oscar por esse mesmo motivo, creio que o ator Stephen McHattie receberá no mínimo um Globo de Ouro.

Uma trilha sonora excepcional. Não senti ela forçar emoção, ou forçar diálogo em momento algum, muito pelo contrário, ela complementa de forma significante as cenas mais importantes do filme.

Em suma, o filme está ótimo. No twitter vi uma galera reclamando sobre a adaptação. Que faltaram passagens importantes do quadrinho no filme. Sejamos racionais. Se todos os 12 volumes da HQ fossem transportados para o cinema, quantas horas teria o filme? Se da forma que está o filme já claramente não é comercial, tem toda a linguagem dos quadrinhos e remete de forma respeitosa ao trabalho de Alan Moore, então qual o problema? Eu mesmo assim que saí da sala de exibição fui até a livraria mais próxima e comprei a minha edição completa. Não só eu, mas bem reconheci mais duas pessoas que estavam na mesma sala que eu que o fizeram. E se querem saber mais sobre essa questão da adaptação, o Daniel HDR escreveu um bom texto sobre o assunto. E sim, o cara manja ;)

Além do que o filme como ‘filme’, é condizente com nossa realidade, afinal estamos vigiando quem nos vigia? Ainda lutamos para manter a nossa sanidade e a daqueles que estão a nossa volta, para o que nada turve nossa visão sobre o que está acontecendo ou para o rumo que não apenas a nossa vida, mas o mundo está seguindo? Vale só por esse pensamento.

Lembram-se de Blade Runner quando saiu? Hoje é cult. #reflitão.

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3 responses

11 03 2009
Itiro

Eu não assisti ainda, mas com certeza, não tem como inserir ‘todos’ os detalhes desta Graphic Novel, num único filme.

Quem cobra isso, é totalmente non-sense mesmo.

Como a maioria dos livros adaptados ao cinema, muita coisa fica de fora, infelizmente.

Abraços!

11 03 2009
DanielHDR

Ae, cara :) Muito obrigado pelo comentário e citação no link de minha resenha.
Sabe, acho que a musica foi um ponto fortíssimo para adaptação. Tal qual Alan Moore sugere aos leitores, durante as páginas de Watchmen, a audição de músicas especificas, esta adaptação tem ótimas tiradas, como o viagra do Coruja (entenda-se ação+uniforme+Espectral com botas de latex) e os creditos, com Bob Dylan ao fundo. A trilha foi um personagem extra à trama!
Abraço!

12 03 2009
rafagoom

Agreed AND indeed =D

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