Exposição: Gameplay

11 07 2009

Ou, Itaú Cultural e Sua Grande Lan House. Pronto, defini a exposição.

Se você

Itaú Cultural

gosta de videogames e deseja entender mais sobre as novas plataformas, como elas funcionam ou como é desenvolvido um jogo, e acha que suas dúvidas e curiosidades serão sanadas nesta exposição, você infelizmente foi enganado, assim como eu e o @GUSLanzetta fomos.

Os três andares em que a exposição está instalada estão recheados de jogos de PS3, Wii, Nintendo DS, jogos de PC e jogos conceito, como um jogo que mede sua pressão arterial, capta seus movimentos e não sei mais o quê, ou como funciona porque a pessoa que deveria estar ali para explicar aos visitantes não sabia explicar o jogo e/ou conceito.

Em um dos andares há uma instalação de Counter Strike, com um quadro/manifesto sobre os jogos com certo grau de violência permanecerem onde estão, no plano da diversão, explicando que a realidade é diferente do jogo e quem não entende essa linha demarcatória deve ficar longe. No outro lado da sala uma grande TV passando imagens de um grupo jogando CS e você pode ouvir todo o jogo, criando uma boa ambientação. Ao lado dessa TV há fones de ouvido. Pensei que seria a possibilidade de ouvir o ambiente de uma lan house, o hábitat natural do jogo ou alguma outra coisa. Não, era o mesmo som que você ouvia na sala. Propósito?

Uma grande máquina de arcade passando o vídeo O Encouraçado Potemkin de 1925, que é tratado como um filme genérico, pois não há nenhuma explicação do porque da escolha desse filme ou o nome do próprio filme! Os controles do arcade avançar e retroceder a imagem sem nenhum objetivo me fez ter a certeza de que a exposição é apenas uma grande lan house de férias. Muitas crianças estavam lá com seus colegas apenas para jogar. Não há quadros explicativos sobre como funcionam os jogos, ou como foram desenvolvidos. O que era esperado, pois de 7 a 9 de Agosto a exposição tem como desafio desenvolver um jogo em 48h.

Recomendo que visitem o Hot Site da exposição que está bem melhor que o espaço físico. Pelo menos há informações consistentes.

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6 responses

11 07 2009
P.P

Olá. Acredito que, assim como você, muitas pessoas saíram decepcionadas da exposição. A mídia e até o senso comum promove essa exposição como uma “Feira de games”, ou uma expo sobre “a história dos games” ou como se fosse uma lan house. A exposição chamada “Gameplay” está aberta no Itaú Cultural, instituto este conhecido pela qualidade de suas exposições sobre arte contemporânea. Sugiro a você e seu amigo voltar a exposição e procurar o serviço educativo do instituto. Diferente do apoio (aquelas pessoas que estão fixas nos games), o educadores estão lá para sanar suas dúvidas em relação ao CONCEITO da exposição. Falo “CONCEITO”, porque existe sim um conceito, já que esta expo está sendo realizada num espaço para Arte. Acredito que você não vai se arrepender de voltar e procurar um dos 10 educadores do espaço. E se você foi em alguma outra exposição, ou mesmo no acervo do MASP ou das Pinacoteca, sabe que há quadrinhos e4xplicativos das obras. É por isso que o serviço educativo existe. O “Encouraçado Potemkin” não está lá por acaso, os controles do arcade servem para “reeditar” o filme (por um motivo também), assim como o VELVET Strike (que não é o Counter Strike) também está lá, no mesmo andar que HALO, Fatal Frame e a instalação (veja só, uma obra de arte!!) World Skin. Sei que o brasileiro não tem a cultura de procurar um educador e sanar suas dúvidas, mas sugiro que você tente novamente.

12 07 2009
rafagoom

Olá P.P!
Antes de ir à exposição, e como faço com qualquer uma exatamente para mudar esse conceito de “brasileiro não tem cultura de procurar”, me certifiquei no site da própria instituição qual era o objetivo da exposição, a saber “Compreender essas relações é um possível caminho para entender o conceito de gameplay: o conjunto de experiências interativas entre dois ou mais sistemas, sejam eles humanos ou artificiais.”(sic). Trocando em miúdos, o gameplay propriamente dito. O ato de jogar. E sim, já visitei diversas exposições no MASP, Pinacoteca, FIESP e inclusive no Itaú Cultural, que são espaços que nunca me decepcionaram com exposições, apresentações teatrais ou debates culturais. Por essa posição já assumida da instituição, os debates e a série de simpósios programada, imaginei que a exposição fosse além, se tornando um espaço para reflexão sobre interatividade e rumos dos próximos jogos e por conseqüência a própria tecnologia. O que a exposição não oferece, infelizmente. O que me impressionou de modo ainda mais negativo nesta exposição foi o despreparo do “staff”, o que não acontecia em exposições anteriores, o que aconteceu? E sim, os “quadrinhos” realmente foram consultados, mas eles não tem mais do que o nome do jogo/instalação. Realmente como mostra de jogos que promovem a interação humano/máquina de uma forma diferente, como centro de experimentação de jogos da nova geração, esse objetivo foi atingido. Mas infelizmente não passa disso. Uma perda.

12 07 2009
P.P

Rafael,
ainda assim o convido para visitar a exposição novamente! Explicarei o porquê. Primeiramente, como você sabe (por já ter visitado outras exposições), em nenhuma delas existe um “quadrinho explicativo” ao lado de cada obra. Nesta exposição, os games não são vistos apenas como games, existe também um olhar de arte/tecnologia/instalação. Se é assim, não é intenção da exposição nem da curadoria falar sobre os consoles, sobre o mercado de games, sobre o processo de criação de um jogo e sua narrativa e etc. Tanto é que os consoles não estão à mostra. Como você percebeu, a intenção é discutir os tipos de interatividade, imersão e diálogo entre ser-humano/máquina e máquina/máquina. Como você mesmo citou, o “staff” é conhecido no instituto como “Apoio”. A função do Apoio é dar as seguintes informações ao público: jogabilidade, tipo de console, empresa que criou o game. Ou seja, informações técnicas APENAS. Existe um outro grupo de profissionais no espaço, os “Educadores”. A função destes, por sua vez, é passar para o público o conceito da exposição, a fala curatorial e incentivar um questionamento e um olhar crítico sobre o que está sendo discutido e exposto. Novamente, aconselho você a voltar ao espaço e procurar um Educador, estes sim preparados para tirar suas dúvidas conceituais. O Apoio está na exposição apenas para tirar dúvidas técnicas e de jogabilidade. Digo também que o conceito de “Gameplay” da exposição vai além da questão da interatividade.
Abços

12 07 2009
rafagoom

P.P, chegamos ao ponto. Essa é uma exposição que exige visita monitorada. Caso contrário, é apenas gameplay.

13 07 2009
P.P

Rsrs. Rafa, chegamos ao ponto. Qualquer exposição de arte, arte contemporânea e arte-tecnologia, requere visita monitorada. Caso contrário, “games” permanecem games;

13 07 2009
rafagoom

Um incentivo maior a se fazer visitas monitoradas não cairia mal, nem tiraria o mérito, muito pelo contrário. É só ver o enorme prestígio de um Bienal, por exemplo, que só cito como exemplo pelas obras modernas e de difícil entendimento para o público em geral. No final, games sempre são mais fortes, hehehe.

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