Eu Não Esqueci

31 05 2009

Dia da Toalha!Não me esqueci que dia 25/05 foi o Dia da Toalha. Só não publiquei nada aqui no blog porque não me acho um Nerd completo. Tudo bem que esse blog tem um monte de nerdice, mas o dia da Toalha é comemorado mundialmente não por nerds wannabe, mas pela grande obra de Douglas Adams, escritor de O Guia do Mochileiro das Galáxias, o qual estou na página 52 e estou curtindo MUITO!

Não torça o nariz com o pensamento “Ai, coisa de nerd, ECA!”. O livro não é cheio de fórmulas matemáticas, questões de física quântica, ou átomos colidindo (se fosse assim eu nem chegava perto!) O livro te pega pela simplicidade com que essas questões são apresentadas. Se você entende sobre elas, ótimo, o livro te levará para uma dimensão maior. Se não, legal também, a mensagem do livro é bem maior do que isso. Você se divertirá da mesma maneira e ainda será incentivado a saber mais. É como se Douglas Adams pegasse a sua mão e falasse “Olha, o meu livro é bem legal, mas preste atenção nesse universo que se abrirá caso você procure saber mais sobre essas outras coisas!”.

Eu mesmo não entendo nada de matemática/física/química, mas o livro me pegou pelas referências à cultura pop e crítica a sociedade. Fora os personagens carismáticos e redondos que já fizeram um laço de amizade comigo! Isso porque ainda nem terminei o livro =D

O dia 25/05 ainda foi marcado por uma polêmica, o Dia do Orgulho Nerd. Eu não entendi muito bem a proposta. Tipos, tem nego que se orgulha de ter sido rotulado de Nerd (termo aqui usado não como um estilo de vida e sede de conhecimento, mas sim como um termo pejorativo, de pessoa que não tem vida social ou não consegue se inserir na sociedade), não ter namorado a gata do colégio ou ter sofrido bullying dos valentões burros? Poxa. Tá, posso estar sendo extremista, mas nossa sociedade vê assim. É possíve mudar a mentalidade das pessoas? Sim. Então por que sou contra? Por ser no mesmo em que a obra de Douglas Adams é comemorada. Se fosse em outra data, com outra tática, quem sabe eu não apoiaria?

Vamos continuar divulgando o Dia da Toalha. Para saber mais um pouco, veja este texto roubado copiado do pessoal do Jovem Nerd a respeito da utilidade da Toalha:

“O Guia do Mochileiro das Galáxias faz algumas afirmações a respeito das toalhas.

Segundo ele, a toalha é um dos objetos mais úteis para um mochileiro interestelar. Em parte devido a seu valo prático: você pode usar a toalha como agasalho quando atravessar as frias luas de Beta de Jagla; pode deitar-se sobre ela nas reluzentes praias de areia marmórea de Santragino V, respirando os inebriantes vapores marítimos; você pode dormir debaixo dela sob as estrelas que brilham avermelhadas no mundo desértico de Kakrafoon; pode usá-la como vela para descer numa minijangada as águas lentas do rio Moth; pode umedecê-la e utilizá-la para lutar em combate corpo a corpo; enrolá-la em torno da cabeça para proteger-se de emanações tóxicas ou para evitar o olhar da Terrível Besta Voraz de Traal (um animal estonteantemente burro, que acha que, se você não pode vê-lo, ele também não pode ver você – estúpido feito uma anta, mas muito, muito voraz); você pode agitar a toalha em situações de emergência para pedir socorro; e naturalmente pode usá-la para enxugar-se com ela se ainda estiver razoavelmente limpa.

Porém o mais importante é o imenso valor psicológico da toalha. Por algum motivo, quando um estrito (isto é, um não-mochileiro) descobre que um mochileiro tem uma toalha, ele automaticamente conclui que ele tem também escova de dentes, esponja, sabonete, lata de biscoitos, garrafinha de aguardente, bússola, mapa, barbante, repelente, capa de chuva, traje espacial, etc., etc. Além disso, o estrito terá prazer em emprestar ao mochileiro qualquer um desses objetos, ou muitos outros, que o mochileiro por acaso tenha “acidentalmente perdido”. O que o estrito vai pensar é que, se um sujeito é capaz de rodar por toda a Galáxia, acampar, pedir carona, lutar contra terríveis obstáculos, dar a volta por cima e ainda assim saber onde está sua toalha, esse sujeito claramente merece respeito.

Daí a expressão que entrou na gíria dos mochileiros, exemplificada na seguinte frase: “Vem cá, você sancha esse cara dupal, o Ford Prefect? Taí um mingo que sabe onde guarda a toalha.” (sancha: conhecer, estar ciente de, encontrar, ter relações sexuais com; dupal: cara muito incrível; mingo: cara realmente muito incrível.)”

Conheça mais a respeito de Douglas Adams e sua obra! NãoEntreEmPanico.com





Operação Saramago

28 11 2008

No dia 23, à tarde fiquei sabendo que José Saramago faria o lançamento mundial de seu novo livro, A Viagem Do Elefante, aqui no Brasil no SESC Pinheiros. Fiquei sabendo também que os ingressos para participar do evento haviam acabado. Mas, como minha experiência em eventos esgotados já é larga, decidi sair do serviço e ir até o local do evento esperar para que algum desses Seres morresse pelos lugares remanescentes.

O legal desses eventos é a amizade efêmera que você faz (e eu sou mestre nisso, já leram este meu post?). Conheci três pessoas interessantes. O Leandro, um jovem escritor que acabou de conseguir que seu livro fosse lançado (quero saber quando terei o meu exemplar!); Juliana, uma jovem pedagoga de Campinas em São Paulo para ver a família e Saramago; Vera, uma mestranda em Psicopedagogia. Conversamos sobre as obras de Saramago, a adaptação de Ensaio Sobre A Cegueira por Meirelles, Gabriel Garcia Márquez e até sobre epifanias!

Deu a hora. Lá veio a moça entregando ingressos. Peguei o meu e fiquei super feliz, afinal, eu iria vê-lo em carne e osso, e não através de um telão =P

Pilar Del Rio, a esposa de Saramago, de forma muito alegre, falou sobre a obra e leu uma dedicatória para seu esposo. O amor deles é tão lindo, tão puro! Acho que é o último do mundo dessa forma. Ela é 28 anos mais nova que ele, e percebemos que este é um amor tão jovem e belo, que comove. Este livro é dedicado a ela com as seguintes palavras:

“A Pilar, que não deixou que eu morresse”

Tô quase acreditando no amor de novo!

Saramago discorreu sobre a vida. A primeira pergunta que respondeu foi como ele se via. Disse que era a melhor das imagens. Lisonjeiro e renunciador do tempo. Quanto à velhice, disse que esta é normal. Se esta não acontecesse agora, é porque havia acontecido antes.

Disse que uma vez disseram a ele que ele já havia ganho o prêmio Nobel, já tinha fama, e perguntaram o que queria mais. A resposta foi a mais lúcida possível: “Tempo e Vida. Tempo para ficar com Pilar e viver” , disse José Saramago.

Ele disse que é uma pessoa melancólica e reservada (me diga um grande escritor diferente XD), porém em palestras é capaz de falar por três a quatro horas sem parar.

Quanto à sua doença, disse que foi realmente grave e que os médicos lhe disseram que foi um milagre sua recuperação. Ateu que é, Saramago atribuiu sua recuperação ao bom trabalho dos médicos. Disse que a doença não transparece no livro. Que este foi escrito com uma sanidade interior nunca antes experimentada. O livro foi escrito em estado de pura felicidade.

Quanto à sua carreira, disse que nunca a planejou. Não é ambicioso, como alguns escritores que escrevem por fama (nessa hora senti uma alfinetada em Paulo Coelho devido a essa frase. Suas primeiras obras não eram rentáveis. Só tinha uma preocupação: “Não escrever nada que não fosse pensado”. Esse foi o motivo de haver um intervalo de 30 anos entre sua primeira obra, Terra Do Pecado – 1947, e a segunda, Manual De Pintura E Caligrafia – 1977. Ainda completou afirmando que não havia escrito nada nesse meio tempo, porque não havia nada para escrever que valesse a pena. Certíssimo.

Ainda sobre o livro A Viagem Do Elefante, Saramago comenta que sua linguagem é atual e anterior, ao mesmo tempo. Disse que se trata de uma linguagem próxima ao século XVI, ou anterior. Não sabe dizer com precisão a época. Nesta nova obra propôs que a linguagem e o enredo (dando ênfase a linguagem) fossem os condutores responsáveis pela trajetória do leitor ao final do livro.

“É um bom livro. Um livro bem escrito”

Saramago ainda renegou o rótulo de romance, ou prosa-poética para seu livro. Disse que o chamará de conto.

“Escrever é uma caixinha de surpresas (…) O livro vai fazendo-se e é o fazer do livro que faz o livro”

Saramago não está trabalhando em outro livro. Comparou-se com a terra que acaba de dar seus frutos e ser semeada. É momento de descansar. Não sabe se este é seu último livro. Quando escreveu As Intermitências Da Morte achou que seria o derradeiro. Mas sua imaginação, a fábrica de sonhos, tinha mais a dizer.

“Escrever é uma responsabilidade enorme (…) Quase uma relação autista entre o escritor e ele mesmo”

Daí veio uma declaração linda de amor. Voltando ao assunto da produção do livro em meio a grave doença que o acometeu, Saramago diz:

“Se tivesse morrido antes de conhecer Pilar, teria morrido muito mais velho do que sou hoje”.

E então a palestra acabou.

Fui direto para a fila tentar um autógrafo. Só que, devido a sua saúde debilitada, ele só iria autografar 150 livros. Meu número na fila? 300 e alguma coisa. Ainda tentei insistir. Conversei com a garota que estava organizando a fila do autógrafo e cometi o maior FAIL de minha vida!

Pedi a ela que me me deixasse entrar e tirar uma foto do Saramago autografando. Ela estava quase deixando quando eu soltei, Me deixa ficar ali onde está aquele “povinho”, ela, Povinho?! Aquele “povinho” são SOMENTE os organizadores do evento”. Nunca mais faço isso.

Mesmo assim uma alma iluminada pegou a máquina de umas cinco pessoas (incluindo a minha) e tirou fotos dele de pertinho. Não ficaram boas, mas é o que tem pra hoje XD Vocês podem ver no meu Flickr.

Desculpem pelo post enorme =)





José Saramago + Fernando Meirelles? No Cinema?

13 09 2008

Hoje foi a estréia do “Ensaio Sobre a Cegueira” (Que tem Gael Garcia Bernal =D). Sim o título é irônico! Eu AMO José Saramago e gosto muito do trabalho do Meirelles. Estou com muita vontade de assistir a adaptação de um dos livros que eu mais amo e mais me fez sentir mal na minha história literária.

Não sei se contei, mas sou formado em Letras e quero aprofundar mais meus estudos literários. So, eu leio muito e de tudo. Inclusive, tinha uma professora que se desconfiar que eu li os dois últimos do Harry Potter me mata me chamando de herege, traidor-do-sangue, e até me pincha uma maldição! Ela é puritana e não aceita livros comerciais. (HP é comercial sim, mas a muié fez crianças de 10 anos lerem mais de 1000 páginas, sendo que na escola sofremos pra fazer esses pivetes lerem 1, U-M-A! Tem meu respeito!)

Iniciei meu amor por Saramago com História do Cerco de Lisboa. Gente que livro lindo! Parece até estranho falar que Saramago é delicado, mas nesse livro ele usa uma interessante delicadeza ao descrever os sentimentos apaixonados de um revisor de textos já de uma certa idade, que se apaixona por sua nova editora. Se for ler, preste atenção na parte em que ele descreve os sentimentos de Raimundo Silva (o protagonista) ao escolher a rosa branca.

O livro é super recomendado. Saramago, mestre Nobel, usa seu dom de não utilizar pontuação de maneira magnífica. Se me assustei ao ver aqueles parágrafos enormes sem um único ponto de interrogação/exclamação/ponto final? Sim, e muito! Afinal foi minha primeira experiência “Saramagiana” (Adoro neologismos, vou fazer um post sobre isso =D). Mas confesso que depois de algum tempo a pontuação surge em sua mente, e você se vê tão envolvido na história do cerco a Lisboa e a história do cerco a Maria Sara (a editora) que o livro flui. É devorável e quando termina deixa aquele ar de quero mais. Aquele desejo de rever os personagens e ser feliz com suas histórias. Diferente do que senti ao final de Ensaio Sobre a Cegueira.

Cegueira é tenso. Não se sabe como começa, não se sabe como terminará. Um pilar da sociedade humana é retirado, no caso a visão, e ela, a sociedade, desmorona. O livro é uma crítica a condição fake que nossa sociedade se acostumou, e incentiva a ser mantida. Por isso você se incomoda. Você se identifica com um ou outro personagem, nem que seja apenas um traço de algum deles. O fato de Saramago não nomeá-los é ainda mais perturbador. Você se choca com as histórias de cada um. As dificuladades de se alimentar, se vestir, fazer as necessidades básicas, permanecer humano.

Chorei em várias partes do livro. Não tenho vergonha em confessar meus sentimentos. Uma coisa que aprendi neste livro foi isso. Não me amarrar a conceitos que alguém em alguma época colocou, e até hoje todos seguem e não sabem o por que.

Para fechar esse post enorme, eu recomendo que leiam algum desses livros de Saramago, de preferência leiam primeiro Ensaio Sobre a Cegueira, e depois veja o filme, mas se quiser fazer o contrário…

Abraços a todos o/